quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Sem título

Amar é uma tortura. Devia ser o oposto. Nunca pensei que o medo vivesse portas juntas ao Amar.
Não me conformo. Isso não é amar. Não é de certeza!
Decidi agarrar no Amar e levá-lo para outra vizinhança. Andamos à deriva, os dois. Ora de mãos dadas, ora de costas voltadas. Andamos à procura de uma nova vizinhança.
Tarefa difícil essa de encontrar um novo lar onde nos podemos sentir em segurança e onde todos aqueles vizinhos indesejados não podem entrar.

Porque no amor, nunca é demais amar

Amor, não sei onde pairas. Andas escondido.
Quero sentir-te em toda a tua plenitude e não aos bocadinhos.
Agora que sei o que tu és, como te sinto, como te quero... não te encontro.
O universo só me quer confundir. A lição ainda não acabou. Tenho muito que aprender.
Quero sentir-te, Amor.

sábado, 18 de junho de 2011

A lapa

Cola-se de novo. Como já o tinha feito anteriormente a outras. Precisa de se segurar a alguma coisa para não cair. Encontra uma rocha, dura, segura e bem presa e colas-se. E fica lá, colada. Não larga. Tira o que pode, muitas vezes o que quer. Leva ao cansaço ou à exaustão até, porque precisas de se segurar. Não pode cair. A queda dói muito, pensa a lapa! Alimenta-se da rocha e ela perde a sua força. Lentamente, sem se aperceber.

Até chegar o dia em que não tem mais nada para se alimentar. Até chegar o dia em que a rocha se apercebe que afinal já não quer mais a lapa colada a ela. Mas está muito presa. A libertação não é fácil.

Cada tentativa que faz, raspa um pouco da rocha. A rocha sofre. Perde força. Não se consegue segurar mais porque as correntes são muito fortes, muito intensas e seguidas. Uma atrás da outra, quase sem intervalo. A água fica turva. Não se percebe muito bem o que se está a passar. Só aqueles que estão perto da rocha sentem as vibrações que ele emite cada vez que toca no chão, de novo.

Tenta libertar-se, com tudo o que tem, da dependência que criou pela lapa. Acaricia-lhe a pele para que se consiga soltar suavemente. Expulsa-a ferozmente. Finge que a lapa não existe… E no meio de cada tentativa, diferente da anterior, tenta explicar à Lapa que estar presa a uma rocha não a leva longe, que assim, não consegue ver por ela própria o que existe para além da rocha, que nunca irá ser uma lapa porque está sempre colada a uma rocha e que a concha não a vai proteger por muito tempo.

A lapa não ouve. Não quer ouvir. Estar bem segura à rocha é o que faz sentido. Tudo o resto é desconhecido e isso assusta.

Mais uns rasgões. Mais tortura. Dói! Muito. Mas o cansaço ganha. O cansaço de sentir esta dor. A rocha decide segurar-se de novo ao chão firme. O que a lapa quer já não é importante.

E faz-se luz! A rocha apercebe-se que afinal ela foi sempre a rocha. Forte, dura, segura e bem presa e a lapa, é só uma lapa. Pequena, escondida numa concha e colada a uma rocha.

domingo, 15 de maio de 2011

O princípio do fim

Silêncio. Um silêncio perturbador. Faz-me confusão.
Um guerra de duas frentes a magoarem-se profundamente. E morrem, ambas as frentes. E resta o silêncio.
Pensamentos. À velocidade da luz. Nasce a necessidade de os ordenar. Cansa o cérebro. Faz suspirar. O corpo pede descanso, frágil por suportar o peso da dor.
Procuro a paz.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Gostar de ti.

Gosto de ti! Não sei de quer forma. Certamente ambígua, não fosse eu que sou! Sei que gosto.Pergunto-me se isso chega. Se chega gostar e pronto.
Fomos sempre habituados a querer mais. Alimentaram-nos de falsos propósitos.
Se gosto de ti, não deveria eu contentar-me só com isso? Não deveria “gostar de ti” ser o suficiente?
Num mundo chamado perfeito talvez. Neste não. Mas eu não me conformo.
Quero gostar de ti. Só. Gostar. Mais nada.


(imagem: Michele Fernandes)

Luta do ser

O coração está rasgado. Dói. A energia que gasto para o manter num só pedaço esgota-se. Lentamente. Sinto-me a ir. A desligar.
Mas não desligo. Mantenho-me. Movida por sei lá o quê. Fico.

Pára! Pára tudo.
Uma coisa de cada vez, por favor! Não peço mais.

“Numbness”. Quero ficar aqui. Sem sentir. Sem ver. Sem pensar. Não quero fugir mas também não quero seguir. Quero ficar aqui, neste estado de “numbness” onde não tenho de tomar decisões, seguir caminhos. Ficar, só.

(Imagem: carla de oliveira)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Amar

Amar, que coisa tão estranha! – diz ela enquanto rebenta bolhas num daqueles plásticos protectores de “coisas sensíveis”, depois de ter feito “mais uma viagem a cuba”.
Ali está ela, sentada na sua cozinha, a contemplar não sabe muito bem o quê. Sente-se menina, hoje. Sente-se pequenina. Já não sabe o que é amar e isso faz-lhe confusão. Perdeu a definição de amar deixando o seu sentimento andar à deriva. O barco não vinha com remos. Só mesmo o barco, num rio, a seguir a força da água.
Bebe mais um pouco do seu leite quente com chocolate e contempla o vazio, ao som de Sigur Rós. “Talvez a melancolia da música me ajude a entrar no mundo dos sentimentos”
Ou talvez seja simplesmente porque o silêncio faz-lhe confusão e a música reconforta-a. Talvez…
Passa uma música. Passa outra. E ela continua simplesmente a “viajar”. Não quer pensar no que é amar. Quer sentir o que é amar!


(imagem:Carla de Oliveira)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Waiting...

Ouço a música, deixo-a percorrer o meu corpo.
Sinto-te perto… o corpo já estremece!
Caminho, para ver se consigo distrair o tempo. E por momentos, consigo.
O tempo foge e corre pela praia, levado pelo vento.
E eu viajo, observo e registo.

Tenho-te na mão! Seguro-te e tu seguras-me. Dás-me o equilíbrio que preciso.
Fugimos de novo! Refugiamo-nos na nossa “nave” e descansamos.
Olho para ti… tu olhas para mim e dizes: - “Deixa-me fotografar-te! Tenho saudades.”
E, ao som daquela música que me faz lembrar o mar, dançamos.

Fluímos!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As palavras que nunca te direi

Tenho de resistir. Venham as forças todas do fundo de mim e façam-me resistir! Eu tenho de resistir.

Vou fugir para longe de ti. Para um sítio onde não me vais encontrar. Onde eu não te vou procurar. Mas voltarei. Um dia. Mais forte, mais segura, mais nobre. E aí, já não te seguirei. Serás parte de um dos meus passados que já não se pode tocar. Eu serei presente. E o futuro continuará sem se conhecer.
Enquanto não fugir, fico aqui. A pensar em ti. A sonhar contigo. A querer partilhar aquilo que não é possível. Então choro. Choro porque sei que não vai acontecer. Choro porque sei o que virá, porque o coração sofre. Choro para fazer o luto do fim de algo que nunca começou e que teimo em continuar. Será isto amar?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O mundo do não sei

Sinto-me a ser puxada para o teu mundo do "não sei".... esse mundo que afoga, que leva para o fundo do abismo! Luto, com todas as minhas forças para me manter fora da água que o envolve e tento desesperadamente manter-te à sua beira.

Esse filho da puta, o "mundo do não sei" mantém-te bem preso. Eu puxo, eu grito, eu choro de dor mas ele não larga. E tu.... sem forças para lutar, sem vontade de lutar (talvez) ali te mantens, os olhos em mim, olhos profundamente tristes. Olham de relance... olham fixamente. Por vezes até sorriem.

Agarro-me a esse sorriso com tudo o que tenho para agarrar e tiro do pensamento a possibilidade de eles deixarem de sorrir. Tiro do meu pensamento... não consigo tirar do teu e o inevitável acontece... deixam de sorrir. Fogem, desviam-se da direcção dos meus e voltam para o "mundo do não sei". Olham para baixo enquanto te afogas. Quase que deixas. Quase... mas, não sei porquê, ergues a tua cabeça e respiras, mais um pouco... e mais um pouco.
Ohhh impotência!!! Ohhh desespero!!! Ohhh dor!!! Fujam, cavaleiros desse mundo obscuro! Larguem-me, eu não quero ir. EU quero ficar aqui, no mundo de céu aberto. Quero sentir. QUERO SENTIR!!! quero viver.... quero que ele viva!

E tu... mantém-te à superfície porque enquanto eu tiver forças, enquanto eu for a guerreira de armadura e espada em punho da minha Armada, não te deixarei ir. Não te largarei.

Post Scriptum: não demores.... nada até à berma, sem medo. EU estarei lá, à tua espera...