domingo, 15 de maio de 2011

O princípio do fim

Silêncio. Um silêncio perturbador. Faz-me confusão.
Um guerra de duas frentes a magoarem-se profundamente. E morrem, ambas as frentes. E resta o silêncio.
Pensamentos. À velocidade da luz. Nasce a necessidade de os ordenar. Cansa o cérebro. Faz suspirar. O corpo pede descanso, frágil por suportar o peso da dor.
Procuro a paz.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Gostar de ti.

Gosto de ti! Não sei de quer forma. Certamente ambígua, não fosse eu que sou! Sei que gosto.Pergunto-me se isso chega. Se chega gostar e pronto.
Fomos sempre habituados a querer mais. Alimentaram-nos de falsos propósitos.
Se gosto de ti, não deveria eu contentar-me só com isso? Não deveria “gostar de ti” ser o suficiente?
Num mundo chamado perfeito talvez. Neste não. Mas eu não me conformo.
Quero gostar de ti. Só. Gostar. Mais nada.


(imagem: Michele Fernandes)

Luta do ser

O coração está rasgado. Dói. A energia que gasto para o manter num só pedaço esgota-se. Lentamente. Sinto-me a ir. A desligar.
Mas não desligo. Mantenho-me. Movida por sei lá o quê. Fico.

Pára! Pára tudo.
Uma coisa de cada vez, por favor! Não peço mais.

“Numbness”. Quero ficar aqui. Sem sentir. Sem ver. Sem pensar. Não quero fugir mas também não quero seguir. Quero ficar aqui, neste estado de “numbness” onde não tenho de tomar decisões, seguir caminhos. Ficar, só.

(Imagem: carla de oliveira)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Amar

Amar, que coisa tão estranha! – diz ela enquanto rebenta bolhas num daqueles plásticos protectores de “coisas sensíveis”, depois de ter feito “mais uma viagem a cuba”.
Ali está ela, sentada na sua cozinha, a contemplar não sabe muito bem o quê. Sente-se menina, hoje. Sente-se pequenina. Já não sabe o que é amar e isso faz-lhe confusão. Perdeu a definição de amar deixando o seu sentimento andar à deriva. O barco não vinha com remos. Só mesmo o barco, num rio, a seguir a força da água.
Bebe mais um pouco do seu leite quente com chocolate e contempla o vazio, ao som de Sigur Rós. “Talvez a melancolia da música me ajude a entrar no mundo dos sentimentos”
Ou talvez seja simplesmente porque o silêncio faz-lhe confusão e a música reconforta-a. Talvez…
Passa uma música. Passa outra. E ela continua simplesmente a “viajar”. Não quer pensar no que é amar. Quer sentir o que é amar!


(imagem:Carla de Oliveira)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Waiting...

Ouço a música, deixo-a percorrer o meu corpo.
Sinto-te perto… o corpo já estremece!
Caminho, para ver se consigo distrair o tempo. E por momentos, consigo.
O tempo foge e corre pela praia, levado pelo vento.
E eu viajo, observo e registo.

Tenho-te na mão! Seguro-te e tu seguras-me. Dás-me o equilíbrio que preciso.
Fugimos de novo! Refugiamo-nos na nossa “nave” e descansamos.
Olho para ti… tu olhas para mim e dizes: - “Deixa-me fotografar-te! Tenho saudades.”
E, ao som daquela música que me faz lembrar o mar, dançamos.

Fluímos!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As palavras que nunca te direi

Tenho de resistir. Venham as forças todas do fundo de mim e façam-me resistir! Eu tenho de resistir.

Vou fugir para longe de ti. Para um sítio onde não me vais encontrar. Onde eu não te vou procurar. Mas voltarei. Um dia. Mais forte, mais segura, mais nobre. E aí, já não te seguirei. Serás parte de um dos meus passados que já não se pode tocar. Eu serei presente. E o futuro continuará sem se conhecer.
Enquanto não fugir, fico aqui. A pensar em ti. A sonhar contigo. A querer partilhar aquilo que não é possível. Então choro. Choro porque sei que não vai acontecer. Choro porque sei o que virá, porque o coração sofre. Choro para fazer o luto do fim de algo que nunca começou e que teimo em continuar. Será isto amar?

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O mundo do não sei

Sinto-me a ser puxada para o teu mundo do "não sei".... esse mundo que afoga, que leva para o fundo do abismo! Luto, com todas as minhas forças para me manter fora da água que o envolve e tento desesperadamente manter-te à sua beira.

Esse filho da puta, o "mundo do não sei" mantém-te bem preso. Eu puxo, eu grito, eu choro de dor mas ele não larga. E tu.... sem forças para lutar, sem vontade de lutar (talvez) ali te mantens, os olhos em mim, olhos profundamente tristes. Olham de relance... olham fixamente. Por vezes até sorriem.

Agarro-me a esse sorriso com tudo o que tenho para agarrar e tiro do pensamento a possibilidade de eles deixarem de sorrir. Tiro do meu pensamento... não consigo tirar do teu e o inevitável acontece... deixam de sorrir. Fogem, desviam-se da direcção dos meus e voltam para o "mundo do não sei". Olham para baixo enquanto te afogas. Quase que deixas. Quase... mas, não sei porquê, ergues a tua cabeça e respiras, mais um pouco... e mais um pouco.
Ohhh impotência!!! Ohhh desespero!!! Ohhh dor!!! Fujam, cavaleiros desse mundo obscuro! Larguem-me, eu não quero ir. EU quero ficar aqui, no mundo de céu aberto. Quero sentir. QUERO SENTIR!!! quero viver.... quero que ele viva!

E tu... mantém-te à superfície porque enquanto eu tiver forças, enquanto eu for a guerreira de armadura e espada em punho da minha Armada, não te deixarei ir. Não te largarei.

Post Scriptum: não demores.... nada até à berma, sem medo. EU estarei lá, à tua espera...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O poder dos 3

AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!

Grito! Grito num todo! O espirito, o corpo, a mente. Pela primeira vez em muito tempo estão em uníssono. Sentem o mesmo, pensam o mesmo, fogem do mesmo, criam o mesmo, destroem o mesmo, envenenados pelo sentimento de perda.

Gritam! Comigo… sem mim… gritam.

A ironia do destino torna-nos num só ser, completo mas destruído. A separação juntou-os.

O medo! Este mal agoniante fê-los acordar ao mesmo tempo. Reúnem-se às minhas escondidas tentando encontrar forma de me equilibrar, de me manter firme, forte. De me manter EU.
O EU perdido, sugado pela personificação do MAL.

AAHHH MAL! Se soubesses o que te adivinha! Se soubesses o quão errado estás! O quão iludido estás… se soubesses não estavas à beira do abismo, estavas dentro dele!


Lying to my face again
Suicidal imbecile
Think about, you're pounding on the fault line
What'll it take to get it through to you precious
I'm over this. Why do you wanna throw it away like this
Such a mess, I'm over this, over this!

Disconnect and self destruct, one bullet at a time
What's your hurry, everyone will have his day to die
If you choose to pull the trigger, should your drama prove sincere,
Do it somewhere far away from here

Rage

Um tumulto de emoções navegou no meu espírito. Cegaram-me ou eu ceguei-me.
A dor finalmente adormece. Deixa lugar a outros estados de espírito, talvez tão venenosos como a dor mas menos destrutivos, menos obstrutivos. Podem magoar, sei que vão magoar mas não a mim.

Raiva. A raiva chega lentamente, aniquiladora e ambiciosa. Com sede de satisfação, de conquista, de poder. Vejo-a a chegar e nada faço para a afugentar. Não quero!
Sei que me vai minar o espírito. Sei no que me vai tornar. Mas sei que não é eterno. Não é definitivo porque caminho para o bem. EU QUERO SER MELHOR.
E para ser melhor, tenho de ser pior primeiro.

Vem raiva! Vem!! Não te inibas. Pega em mim e faz o que tens a fazer. Destrói a dor, destrói o sofrimento. Destrói a filha da putice que me levou a este estado e segue o teu caminho.

És moradora temporária do meu espírito. Tu sabes disso. Eu sei disso!

Truth

Verdade… verdade? O que é verdade? O que não é verdade?
O que é verdade para mim pode não ser para ti. Então e a mentira?
Se a verdade não é verdade para mim mas é para ti, para mim é o quê? Mentira? Ou simplesmente outra verdade? Tudo isto é demasiado abstracto.
Vamos simplificar. Subdividimos a verdade em categorias: temos a verdade absoluta, a verdade relativa e a verdade mentirosa.

A verdade absoluta é universal. O céu é azul e é-o para todos.

A verdade relativa é abstracta. O que pode ser verdade para mim pode não ser para ti. Eu acredito em Deus e tu não. Para mim a sua existência é verdade mas para ti é mentira.

A verdade mentirosa é psicótica. Não é nem verdade nem mentira. É conveniência.

Com qual delas quero viver? Definitivamente com a Verdade Absoluta. De olhos bem abertos, de espírito absorvente e descrente do que vê mas crente do que sente.

Alimentar o espírito é estar mais perto da verdade absoluta. Alimentar a mente é estar mais perto da verdade mentirosa.

EU escolho alimentar o espírito!