domingo, 30 de novembro de 2008


A Morte caiu sobre mim. Como um relâmpago. Apanhou-me totalmente de surpresa. Tal como ela gosta.
Chegou, tirou e fugiu.
Como se não bastasse, voltou. Tirou de novo, fugiu. Com um sorriso vencedor. “Por esta não esperavas tu!”
Não esperava?
Esperava sim! Tanto esperava que a senti chegar. “Por esta não esperavas tu!”
Trouxe dor. Mais dor. Muita dor. Desespero. Raiva.
O poço era fundo, sombrio, insípido, insonoro. Os gritos não se faziam ouvir.
Senti finalmente o que é descer o abismo.
Descer é fácil.
Subir, nem por isso.
Subir consegue ser mais doloroso que a descida. Chegar à evidência que a morte afinal não existe.
Mais uma desilusão causada pela ilusão.
E agora?
Agora faço o processo inverso (iluminada).

2 comentários:

Lisa disse...

As cordas da tua alma ressoam que até consigo-as ouvir daqui onde me encontro
É o que sinto quando leio este teu texto. Sei o que sentes.
E dói, de tanto pensares, de tanto chorares, de tanto te fazer lembrar.
Sei que ficou muito profundo em ti, tão profundo que é como um estranho silêncio cortante.
Dor, desespero, raiva.
Três palavras horríveis da dor de teres perdido entes queridos, dor daqueles que amavas mais que tudo neste mundo.
Pensas na morte e tentas dar-lhe un significado, mas é o silêncio que te fala lá no fundo da tua alma.
A tua última palavra (iluminada), para mim seria mais, um sopro essencial que te permite continuar, apesar de tudo.
Apesar da dor.
Beijinho da tua mana
Lisa

Paulo disse...

Quite simple, nicelly put.